Sou biruta por minha sobrinha afilhada! Ela está com 6 meses, naquela fase linda dos 2 dentinhos inferiores nascendo.
Neste sábado, telefonei pros pais dela e, como sempre, perguntei se estava acordada, “ah, está! Tô indo agora praí!”.
Fico toda oferecida dizendo pro meu irmão “por que vocês não saem pra namorar? eu fico cuidando dela”, minha cunhada adorou a idéia. Convenhamos, o casal estava louco pra comemorar 4 anos de casados.
Deixam mamadeira feita e o aviso “tenta dar a mamadeira por volta de 21:30”. Como o bebê já estava todo arrumado: calça jeans, meias, sapatos, tiara, o escambau! Minha farra é desfazer tudo, vou tirando, comemorando, fazendo festinha, falando por ela “
Ah, tia Márcia, qui dilícia tilar tudo, tava apertado, me deixa só de body mesmo, tombom!”.
Na despedida dos pais, seguro o bebê no colo, eles saem animados, graças a Deus confiam em mim. Lelê, a nenê, observa indiferente, digo pra eles “vão aproveitando enquanto ela não entende nada...quando ela crescer mais vocês vão ver o choro e o bode que vai dar!”.
Vou pro quarto deles, coloco Lelê no meio da cama de casal, faço um cercadinho com 4 travesseiros, coloco os brinquedinhos dela no meio, me deito ao lado e penso “oba! Vou assistir um dvd!”.
Doce ilusão! O bebê quer atenção. Em 30 minutos começa o chôrorô. Vou passear com ela pela casa. Choro passa, choro volta. Penso “mô Deus, deve ser fome, mas ainda não está na hora”, dou água, seguro as pontas, passeio pela cozinha e varanda, batendo um papo legal, digo: monólogo. Eu tagarelo muito com ela!
21:15 hora do leite, sinto que a mamadeira está quente, pego um balde, ligo a torneira, encho de água, mergulho meia mamadeira pro leite esfriar, faço o teste do pulso (leite morninho, que medo de queimar o bebê), enquanto isso ela está no carrinho, balanço o carrinho com o pé, continua o choro, ponho ela sentadinha de frente pra tv, opa, cadê o furinho da mamadeira que tem que ficar pra cima?! Não adianta, ela chora e não quer saber de leite.
Sabe como funcionou?
Ela adora a vista da varanda, só que há uma parede de 1.50 cm antes da vidraça. Para que ela tenha uma visão legal tenho que ficar na ponta dos pés. E foi assim que, com um braço erguendo o bebê e o outro com a mamadeira, as lágrimas secaram e ela sugou o leitinho morno feliz da vida.
Foi um contorcionismo de minha parte, mas um alívio ver que a missão estava cumprida.
Babador! Por que não pus o babador?! Esqueci, vou limpar o queixo com essa fralda mesmo.
Feito isso: sono instantâneo. E agora: ela precisa arrotar! Não, não dorme agora. Lá,lá,lá,lá. Vai, arrota. Será que isso foi um arroto?! Caraca, dormiu. Coloco no berço e fico preocupada, e se regurgitar e eu não estiver aqui?! Vou ficar de olho.
Dormia feito um anjo: branquinha, rechonchuda, cheirosa.
Meu Deus, como bebê dá trabalho! Será que eu ainda quero ter um?
...
Quero! Quero! Quero!
35 minutos depois, ouço o berreiro. Mas como?! Ela acordou?!
Tiro do berço, passeio pela casa, será que é fralda molhada?! Deito ela na cama, vou checar as fraldas. Ué?! Isso é seco ou úmido? Essas fraldas são tão modernas que isolam um bocado o pipi da pele do bebê.
Tá molhado sim. Ah, agora vai passar esse choro! Arranco a fralda facinho.
Mas cadê que consigo vestir a nova?! Ela não pára de chorar. Ai, mai Godi, estou sozinha. Já sei, vi meu irmão dar um saco duro amassado pra ela brincar, mostro o tal saquinho, ela não dá a mínima. Coloco ela no colo sem fralda mesmo e levo pra varanda: infalível. Ela adora ver as luzes dos carros!
15 minutos de braço vou tentar colocar as fraldas, de novo. Entro na sala e começo a sentir algo morno na barriga. Fico feliz da vida: ará, a primeira mijada da minha sobrinha. Demorou! Kakaka!
2 metros de rastro de pipi no chão, ligo pra mãe “vocês estão em que altura?”, “já estamos chegando”, “levei uma mijada legal, tá tudo bem, mas venham logo”.
Então tive uma idéia “genial”, não posso deixar ela sujinha, coloquei os pézinhos na pia da cozinha, abri a torneira, molhei a mão direita e passei nas pernocas.
Opa! Que choro sofrido! Meu Deus, será que a água ta gelada? Claro, sua doida, são 22:30. E agora? Pra segurar o bebê? Passei a mão direita num pano de prato preso na parede e segurei o bebê direito. Novamente: varanda. O choro passa. Pra não levar novo banho de pipi coloco a fralda descartável (aberta) entre as pernas dela.
Tô cansada da agitação, mas ao mesmo tempo animadíssima. Ela tá ótima. Nos sentamos na sala, tv ligada, ela brinca com os adesivos da fralda. A paz reina.
O pais entram. Digo pra Lelê “pronto, a salvação!”
A mãe pergunta, vendo os olhinhos, “ela chorou, né?!” “ah...um pouquinho, só quis mamadeira olhando os carros da varanda”.
A frada foi colocada em segundos, pai e mãe presentes, bebê calminho e contente.
Se eu contei da água gelada?! Não, nunca, never. Só quando ela tiver uns 18 anos eu vou contar. Sou psicóloga, solteira, sem nenhuma experiência anterior com fraldas, tia amorosa...isso não vai virar trauma, não.
Hoje vou entregar uma carteira de estudante pra minha cunhada e já fui logo comentando "pois é, você podem ir ao cinema e deixar a nenê comigo, tá?!