Amorosa confessa...
Cheguei em Fortaleza após umas 5 horas de atraso. Todo mundo deve ter visto na tv o escândalo da Tam, eu vi pessoalmente, os aeroportos de Brasília e Salvador pareciam rodoviárias: muita gente dormindo no chão/sentada, muita sujeira, muito mau humor, gritarias de comemoração por cada vôo que anunciava confirmação (mesmo que com 4 horas de atraso), enfim: caos.
Ao desembarcar troquei as havaianas por uma bela sandália alta da Forum, guardada na bolsa. Usava um vestidinho colorido, bem frouxinho, me sentia gordinha e tentava disfaçar.
Meu amor estava radiante.
De 21.12 a 08.01 houve muito romance, viajamos, tivemos um Natal maravilhoso. Curti muito as filhas dele. A mais velha foi aprovada de 1ª, para Arquitetura, na Federal!
Porém, grande porém: meu pai de 70 anos estava com câncer de próstata e minha mãe perigava operar a coluna. Fomos muito a consulta com médicos, fazer exames. Meu pai não sente dor, por isso vive fazendo exames pra re-re-confirmar o que deve fazer: operar ou radioterapia?! No fundo sei que ele está com medo.
Eu sangrava pouquinho desde 18.12, vivia com sede, ia ao banheiro umas 5 vezes por noite. Achava que estava menstruada. Conversei com uma médica em 07.12 que disse que podia ser diabetes ou ovário policístico.
Recebi minha tumultuada mudança dia 05 e fiz muito esforço físico até o dia 08. Montei apartamento: instalar móveis e lustres, acessórios de banheiro, cortinas, prendedor de porta, etc.
Dia 09, botei na cabeça que ia achar tempo pra saber de minha saúde e fui ao médico pedir uma bateria de exames. Às 15 h descobri que estava grávida de 16 semanas.
...
Foi um choque. Eu fiquei radiante e atônita. Tinha feito muita coisa que não devia (clareamento nos dentes, aspirina pra dor de cabeça, subi açude, comi quilos de camarão, muito café, banho de lua com descolorante, champagne, dirigia muito, o escambau).
Eu temia pela saúde do bebê. A família ficou super feliz pois todos sabem o quanto eu desejo ser mãe.
Dia 10 fiz o primeiro ultrasom. O médico disse que estava tudo "normal", recomendou vitaminas, sutien especial e óleo de amêndoas na barriga. Comprei tudo na manhã seguinte, dia 11. Nesta noite, pela primeira vez, passei o óleo, com calma e carinho. Conversei muito com o bebê e rezei bastante.
Conversei com Deus sobre o quanto eu me sentia culpada (agora sei que não sou, pois eu não sabia) e o quanto queira que o bebê nascesse bem.
A bolsa estorou às 22:30. Eu estava deitada na cama, sentindo dores que mais tarde soube que eram contrações de parto.
Em 3 dias houve paraíso e purgatório. A gente sofreu muito. Eu que viajei em férias pra prestar assistência pra meus pais, me vi sendo "a doente", internada, saindo de mesa de cirurgia, cercada de parentes e amigas tentando me ajudar a ser forte.
Eu soube que era um menino. Seria o nome do pai. Eu sempre desejei um menininho.
Hoje ouço todos me falando "você vai ter outro! tenta de novo".
Ihhhhh... o destino tá tão de mal comigo, tem coisas acontecendo que nem dá pra contar no blog.
O corpo voltou ao normal. Muitas pecinhas no quebra-cabeça vão se encaixando: o sono absurdo que eu sentia e me chamavam brincando de "preguiçosa", o cabelo cresceu mais, a noite em que devorei 420 g de uvas Thompson, o desejo por peixe, a sensibilidade que me fazia chorar até por coisas boas, perdi todas as minhas calças, a sede/urina constante, etc.
Fiquei em Fortaleza mais 15 dias, cumprindo atestado médico. Hoje voltei a rotina do trabalho.
Se tenho planos?! Muitos.
Eu contei a historinha pra ser sincera com os amigos, mas também pra compartilhar experiências: o corpo avisa, a gente tem que estar atento aos sinais e nunca adiar providências; o que você desejar fervorosamente e pedir em oração, conseguirás; descobri 65.000 páginas no google sobre aborto espontâneo, é mais comum do que eu pensava; soube de uma mulher que já teve 3 filhos e depois de 12 anos descobriu estar grávida do 4º no 5º mês de gestação; descobri muitas mulheres que tiveram filhos saudáveis após um aborto; descobri o que é "morte súbida" em bebês; soube de mulheres que tomaram medicamentos para "segurar" fetos enquanto elas sangraram e que nasceram com síndrome de Down ou doentinhos... Enfim, sempre rezo e quero imaginar que ele é um anjinho, que Deus está do meu lado, minha vida está em suas mãos e o que tiver que ser será.
Na mala eu trouxe uma roupinha de bebê que comprei na véspera de voltar, a cor é branquinha, pois serve em menina ou menino.
O tempo vai dizer.
Segunda-feira, Janeiro 29, 2007
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1 comentários:
Puxa, Marcinha!!! Que triste... Desculpe-me por expressar assim, tão cruamente, mas eu imagino seu desapontamento ao perder o bebê que queria tanto!... Com certeza, outro lindo nenenzinho virá; e você já saberá que é importantíssimo estar "atenta aos sinais do corpo" e tudo o mais! Saiba que criancinhas saudáveis vêm depois de abortos espontâneos, sim; vivi isso e tenho a Angel, hoje com 13 anos! Espero que recupere-se bem - não só física, mas, sobretudo, emocionalmente - para permanecer forte, radiante e florida na "aventura" que é a vida e sobre a qual você escreve tão bem! Amo ler você! Mesmo quando me comovo, entristeço junto... Muitos beijos!
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